Ao contratar caminhão-pipa, síndico deve ficar atento a custos
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Trocar o fornecimento de água da concessionária pelo de caminhão-pipa nem sempre resulta em economia na segunda maior despesa condominial --atrás da folha de pagamento.
O preço do metro cúbico (equivalente a mil litros) da água de carro-pipa pode chegar a R$ 7, mas, em média, custa R$ 15 --a variação deve-se a fatores como periodicidade do contrato e distância entre condomínio e empresa.
Para uso residencial, o primeiro metro cúbico de água fornecido pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) custa R$ 12,43 por mês; acima de 50 m3, sai por R$ 5,34. Os valores dobram porque o esgoto é cobrado junto com a água.
Para imóveis comerciais ou de uso misto, como flats, o valor é de: R$ 24,94 para o primeiro metro cúbico usado, e de R$ 9,69 para acima de 50 m3.
Encomendas pontuais de caminhão-pipa valem pela rapidez. "Residenciais contratam esse tipo de serviço principalmente para encher uma piscina em dois dias. Pela Sabesp, levariam dez dias ou mais", diz o dono da administradora Prop Starter, Gabriel de Souza Filho.
Com encomendas de 120 mil litros mensais, o síndico R.J. afirma ter diminuído 15% da despesa do condomínio com água --outros 680 mil litros são fornecidos pela concessionária. "Pode ser ecológica e politicamente incorreto, mas acho que pagamos caro à Sabesp por um serviço que não é tão bom."
Esgoto
Apelar para o caminhão-pipa não exime o prédio de acertar contas com a Sabesp: deve-se pagar pelo recolhimento e tratamento do esgoto.
A cobrança pode ser feita de forma amigável, quando o consumidor avisa à companhia que mudou de fornecedor --o valor do esgoto é calculado com base em contas anteriores.
Se o consumidor não fizer o aviso, pode ser flagrado pela fiscalização da concessionária ou denunciado por ex-empregados ou vizinhos, incomodados com o barulho do veículo.
"Dois síndicos de prédios da administradora onde trabalho foram delatados para a Sabesp por vizinhos. O ruído que um caminhão-pipa faz é muito alto", conta o gerente J. R.
O caminhão pode não ser um bom negócio ainda quando se trata da qualidade do insumo. "Obedecemos a padrões internacionais de coleta de água", afirma a superintendente de marketing da Sabesp, Emília Dalla Rosa. Há também adição controlada de cloro e flúor e controle de pH da água fornecida pela empresa.
O síndico também é responsável pela qualidade da água. "Considero uma temeridade para o síndico comprar água de caminhão-pipa. Caso haja uma intoxicação, por exemplo, a responsabilidade civil e criminal é dele", alerta o advogado Márcio Rachkorsky, membro da Comissão de Direito Imobiliário da OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil).
Fonte: Folha de S. Paulo


