As prioridades de prefeitos e síndicos para o orçamento
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Nos condomínios, a arrecadação vem da taxa paga pelos moradores. Nas cidades, vem dos impostos municipais. Confira como síndicos e prefeitos administram esses recursos.
Na série especial sobre as eleições municipais, você vai ver que as prioridades de um prefeito e de um síndico podem ser bem diferentes na hora de controlar as finanças. A reportagem é de Marcelo Benincassa e Fernando Rocha.
Parece teatro, mas a aula de primeiros socorros faz parte do principal investimento de um condomínio em São Paulo. “Segurança, na cidade em que a gente vive, é a maior prioridade que nós temos”, afirma a síndica Andréa Arco e Flecha.
Em outro condomínio em Belo Horizonte, a qualificação dos funcionários também é prioridade. Toda administração é terceirizada. “Em condomínios desse nível, a tolerância é zero. Não pode ter erros ou vacilos”, aponta a síndica Débora Riedel.
Investir em segurança e qualificação pesa na folha de pagamento de um condomínio. Em São Paulo, isso significa mais da metade da receita.
Nas cidades, por lei, a maior fatia do orçamento tem destino certo: 25% na educação e 15% na saúde. “Sem dúvida, a educação será a maior despesa de qualquer município, sempre”, afirma o cientista político Alexandre dos Santos Cunha.
Nos condomínios, a arrecadação vem da taxa paga mensalmente pelos moradores. Nas cidades, vem dos impostos municipais. Mas, como a maioria das cidades não se sustenta com seus próprios recursos, elas precisam de reforço no orçamento. “Em regra, as prefeituras brasileiras se sustentam com repasses do Tribunal de Contas da União (TCU) e do estado. São os repasses do Fundo de Participação dos Municípios e do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) estadual”, explica o cientista político.
Nos condomínios, o caixa também pode ser reforçado. Em São Paulo, o extra de um condomínio vem da reciclagem de lixo. E tem mais: para aumentar a receita, o condomínio também tem um pequeno centro comercial, com dez lojas, como mercearia, loja de frutas e verduras. O sistema de pagamento é à moda antiga: a velha cadernetinha. Cada apartamento tem a sua conta.
O aluguel do espaço rende R$ 7 mil por mês ao condomínio e comodidade para os moradores. “Para comprar verdura e legumes, não pego nem o carro e nem o elevador. Pego o interfone”, conta a aposentada Maria Ester Diaz.
Mas não vai adiantar nada ter idéias criativas se a população não fizer sua parte. Quando José Carlos Pessoa assumiu o posto de síndico há dois anos, mais da metade dos moradores de um conjunto habitacional no Recife não pagava o condomínio. “Isso está mudando, todos estão sendo devidamente processados. A procuração judicial, a indicação de apartamentos à penhora. Eles já foram arrematados. Então, isso mudou”, declara José Carlos.
Com o saneamento das finanças, foi possível até dar descontos a aposentados. “Se paga em dia o desconto de R$ 4,50. Faz diferença, qualquer desconto é importante”, conta o aposentado Irapuã Domingos.
Em Porto Alegre, os três administradores de um prédio fizeram como muitos prefeitos: obras, só depois de colocar o caixa em dia. “Se eu não houver o pagamento do condomínio, não tenho como pagar a luz do condomínio, o elevador não tem como funcionar. Se eu não pago o imposto predial, não tenho como pressionar o prefeito para que ele faça obras”, conclui o síndico Candido Renato Ferreira Rita.
Clique aqui para ver o vídeo do Jornal Nacional.
Fonte: G1 / Jornal Nacional



