Um vilão chamado gás de cozinha
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Saiba como prevenir acidentes com GLP e conheça algumas peculiaridades.
O Gás Liqüefeito do Petróleo (GLP) é mais conhecido no Brasil como gás de cozinha por sua ampla utilização em cocção (cozimento) dos alimentos, aquecimento de banho e calefação. Normalmente, é comercializado em botijões no estado líquido, torna-se gasoso à pressão atmosférica e temperatura ambiente na hora de sua utilização em fogão.
É caracterizado por sua grande aplicabilidade como combustível graças à facilidade de armazenamento e transporte, a partir do engarrafamento em vasilhames (botija, botijão, cilindro ou tanque). Por ser um produto inodoro, sofre a adição de um composto à base de enxofre para caracterizar seu cheiro. Dessa forma, é possível detectar eventuais vazamentos.
De que o GLP é composto?
Na composição do GLP, a mistura ideal é de 50% de propano + 50% de butano, mas ocorrem variações nessa composição. Se tivermos uma proporção de propano maior do que a de butano, obteremos um GLP rico, com mais pressão e menos peso. Se ocorrer o inverso, teremos um GLP pobre, com mais peso e menos pressão.
Qual a diferença entre o GLP e o gás natural?
Gás Liqüefeito do Petróleo (GLP): produto constituído de hidrocarbonetos com três ou quatro átomos de carbono (propano, butano), podendo apresentar-se misturados entre si. Sua produção está essencialmente ligada à de petróleo.
Gás Natural (GN): hidrocarbonetos combustíveis gasosos, essencialmente metano, cuja produção pode ser associada ou não à de petróleo. É normalmente distribuído pelas concessionárias (gás encanado ou canalizado de rua). É o mesmo gás utilizado em veículos, também chamado de GNV ou GMV.
Como o gás natural chega até o consumidor?
Por meio de uma rede de distribuição, passando por estradas, ruas e calçadas, até chegar ao consumidor final.
Como é a densidade do GLP?
O GLP é mais pesado do que o ar. Sendo assim, sempre que ocorrer um vazamento, dependendo da proporção, uma parte do produto será dissipada na atmosfera; quando as condições de ventilação existentes são insuficientes, a outra parte poderá depositar-se em depressões ou local mais baixo da instalação, principalmente em porões, ralos e manilhas de esgoto.
Como é o botijão por dentro?
O gás dentro do recipiente encontra-se no estado líquido e de vapor. Do volume total do recipiente, 85% - no máximo - é de gás em fase líquida e 15% - no mínimo - em fase de vapor. Isso constitui um espaço de segurança que evita a pressão elevada dentro do recipiente. A fase líquida está sempre na parte inferior do botijão. Em função disso, existe na parte superior do vasilhame uma válvula de segurança para saída de gás. Nunca se deve utilizar ou transportar o botijão deitado, pois isso poderá prejudicar o funcionamento do regulador de pressão, que somente funciona na fase gasosa, causando um acidente.
O GLP é perigoso?
O GLP e o botijão não oferecem perigo, desde que sejam respeitadas as regras mínimas de segurança. Portanto, saibamos que, como a gasolina, o álcool ou o querosene, o gás de cozinha também pega fogo com facilidade ao
entrar em contato com chama, brasa ou faísca. Se houver um grande vazamento em um ambiente não ventilado, o gás, por ser mais pesado do que o ar, se acumulará a partir do
piso. Assim, qualquer chama ou faísca poderá provocar uma explosão no ambiente e, conseqüentemente, um incêndio. Para garantir sua segurança, é importante saber manusear corretamente os recipientes, seus equipamentos e seguir os procedimentos de segurança em caso de vazamento.
Em que tipo de edifício posso utilizar o GLP em botijões?
No Estado do Rio de Janeiro, toda a legislação de segurança contra incêndio é aplicada pelo Corpo de Bombeiros (CBMERJ). Para a aplicação da lei, o CBMERJ observa o disposto no Decreto nº 897, de 21 de setembro de 1976 (Código de Segurança contra Incêndio e Pânico - Coscip), que em seu art. 143 dispõe que o suprimento de GLP a todos os prédios com mais de 5 (cinco) unidades habitacionais ou a
novos prédios com destinação recreativa, hoteleira, comercial ou qualquer outra que estimule ou provoque a concentração de público, bem como às novas edificações situadas dentro do perímetro urbano, só poderá ser feito colocando-se o botijão ou cilindro no pavimento térreo e do lado de fora da edifi cação, em uma central própria para esse fim, construída conforme as normas técnicas vigentes.
Nas instalações para GLP, posso utilizar o gás natural?
Sim. Para tanto, a instalação deve estar dimensionada de acordo com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), NBR 15.526 e NBR 13.103, no que couber.
Quanto aos queimadores dos fogões e aquecedores, estes deverão sofrer adequações ou mesmo ser trocados.
É possível utilizar o gás natural e o GLP simultaneamente?
Não, devido à diferença da pressão de trabalho de cada um.
Qualquer residência, condomínio ou estabelecimento pode receber o gás natural? Senão, quais são as restrições?
Geralmente, sim. Vai depender de disponibilidade de rede, avaliação técnico-comercial e custos envolvidos. Edifi cações residenciais verticais (prédios) normalmente viabilizam economicamente o investimento inicial. O edifício deverá ter, no mínimo, quatro pavimentos e oito unidades habitacionais, possuir central de gás ou rede interna de distribuição projetada e o consumo mínimo de GLP deverá ser superior a 400 kg/mês.
Onde devo colocar o botijão?
Coloque-o sempre em local ventilado para que, em caso de vazamento, não ocorra o acúmulo de gás no ambiente. Para a queima do gás, é consumido o ar do ambiente. A reposição desse ar é realizada pela ventilação do ambiente.
Outras formas de prevenção:
» Não feche o basculante ou a janela enquanto o fogão estiver sendo utilizado;
» Nunca armazene o botijão em local fechado (armário, debaixo da pia, gabinete, porão, vão de escada etc.);
» Nunca coloque o botijão próximo a tomadas ou ralos e grelhas de escoamento de água. A distância mínima recomendável nesses casos é de 1,50 m. Prefira colocar o botijão do lado de fora da residência, em um abrigo construído exclusivamente para ele, fechado por grade ou tela (não use chapa fechada ou veneziana);
» A mangueira nunca pode passar por trás do fogão. O calor danifica o plástico, derretendo e/ou provocando rachaduras e possíveis vazamentos;
» Nunca deixe a instalação de gás nas mãos de pessoas não qualificadas nem permita que curiosos façam qualquer tipo de arranjo ou conserto.
Quando for inevitável passar a tubulação de gás por detrás do fogão, utilize tubo flexível metálico.
Como fazer a troca do botijão ao término do gás?
Antes de trocar o botijão, verifi que se todos os queimadores estão desligados. Jamais efetue a troca na presença de chamas, brasas ou faíscas. Feche o registro do gás. Verifique se no local da operação não existe alguma chama (vela, isqueiro, fósforo etc.).
Em seguida, retire o lacre do botijão cheio.
Retire o regulador do botijão vazio e encaixe-o verticalmente sobre a válvula do botijão cheio. Se o regulador for mal-encaixado, poderá danificar o regulador e causar vazamento.
Gire a borboleta para a direita até que fique bem firme. Use apenas as mãos e nunca ferramentas para atarraxar o cone-borboleta sobre a válvula do botijão. O regulador foi projetado para se encaixar perfeitamente ao botijão, não o force com ferramentas.
É natural que escape um pouquinho de gás no momento em que o cone-borboleta pressionar a válvula, antes de estar completamente conectado. A pressão de saída do gás também provocará um pequeno chiado. Ele deve desaparecer assim que o cone-borboleta estiver perfeitamente ajustado à válvula do botijão cheio. Faça o teste de vazamento aplicando água e sabão na conexão da borboleta do regulador com o botijão e na solda existente no meio do botijão. Havendo bolhas, existe vazamento.
O que devo observar no botijão na hora da compra?
Ao receber um recipiente, verifi que se ele está em boas condições. Recipientes amassados, enferrujados ou com defeitos devem ser evitados. Verifique se o lacre está intacto. Veja se o nome da empresa gravado no lacre é o mesmo do recipiente. Esteja alerta contra os distribuidores clandestinos - eles não respeitam as normas de segurança, oferecendo riscos aos usuários. Use sempre o regulador de pressão (registro) com a inscrição ABNT NBR 8473 em relevo.
Como evitar acidentes com gás natural?
Para evitar acidentes com o gás natural ou qualquer outro gás é importante verificar:
» A existência de vazamentos. Para isso, não utilize fósforos ou velas, use espuma de sabão;
» Não instale equipamentos a gás em local sem ventilação permanente;
» Instale corretamente as chaminés no equipamento de aquecimento;
» Ao se ausentar do imóvel, feche todos os registros do equipamento;
» Não faça ligações sem orientação técnica;
»Na necessidade de modificação de sua instalação interna, solicite orientação técnica.
Em caso de vazamentos, como agir? A quem pedir socorro?
Em qualquer tipo de emergência, principalmente envolvendo vazamento de gás, deve-se ligar, imediatamente, para o Corpo de Bombeiros pelo telefone de emergência 193.
Quais os procedimentos em caso de vazamento?
» Feche imediatamente o registro de segurança dos aparelhos a gás, interrompendo o fluxo de gás.
» Não ligue nenhum aparelho elétrico, disjuntor, interruptor etc.
» Abra todas as portas para permitir o máximo de ventilação do ambiente.
» Feche a válvula de bloqueio geral de gás da residência.
» Não utilize fósforo, vela ou qualquer outro dispositivo que produza chama ou centelha para localização do vazamento.
» Entre em contato, imediatamente, com o Corpo de Bombeiros pelo telefone de emergência 193.
Importante
Troque o regulador a cada cinco anos ou quando apresentar defeito. Observe sempre a validade do regulador tomando o cuidado de utilizá-lo dentro do prazo. Use a mangueira correta, com uma “malha” transparente e com uma tarja amarela, onde aparecem a inscrição NBR 8613, o prazo de validade e o número do lote.
Fontes:
Site do Corpo de Bombeiros Militar do Rio de Janeiro;
Site da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP);
Capitão Renato Grigorovski - bombeiro militar;
Tenente Thadeu Grassi - bombeiro militar.
Fonte: Revista Condomínio & Etc.
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Comentários (1 publicado)
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Publicado em Artur de Souza Maciel, 21/07/2008Muito esclarecedora essa matéria. Muita gente não tem a mínima noção de como se compra, armazena e distribui o gás de cozinha nos condomínios. Há até, na sua maioria, síndicos que desconhecem medidas de economia na hora da compra. Comprar gás em vendedores que oferecem o produto de porta em porta é um grande risco. Nem sempre esses "oferecedores de gás" são confiáveis. Ó melhorar é sempre comprar do mesmo fornecedor, preferencialmente dos que engarrafam e entregam diretamente aos condomínios, com preço e prazo mais justo e confiável. É dessa forma que ajo nos condomínios que administro.



