Participação de condômino ou do eleitor vai além do voto
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A participação do morador em um condomínio ou do eleitor em uma cidade vai muito além do voto. É o que você vê na série sobre as eleições.
Ninguém precisou nem pedir, nem brigar. A churrasqueira na varanda, mesmo em apartamentos pequenos, é um acessório já previsto nas construções em Porto Alegre.
“O cheiro bom da carne assada incomoda. Dá vontade de fazer um churrasco”, brinca o fisioterapeuta Régis Reis.
Normalmente, as conquistas, seja no condomínio ou na prefeitura, não são tão simples. Em um conjunto habitacional em São Paulo, os moradores fizeram muitas assembléias para aprovar a conta individual de água. “A gente sabe que está gastando só o da gente”, disse uma moradora.
Uma idéia já adotada em várias cidades também funcionou em outro condomínio: a reciclagem de lixo. Dez anos de experiência permitiram que os moradores investissem o lucro em algo inédito: o dinheiro da venda de quatro toneladas mensais de plástico, vidro e papel abastece uma farmácia montada por dois médicos. “A gente transforma o lixo, que poderia gerar doença, em saúde”, contou a subsíndica Tereza Sampaio.
Se sobra dinheiro, dá para ampliar o atendimento de saúde. Além da farmácia, o prédio montou um ambulatório para atender os 30 funcionários e seus dependentes. Os médicos são moradores e voluntários.
“Quando você faz algo nesse sentido, você acaba ganhando mais, o retorno é muito grande para você”, afirma o médico Yoshi Hissa Tsuda.
Se é possível ter boas idéias para melhorar a vida em um prédio, em um condomínio, por que não é possível ter essas mesmas idéias para melhorar a vida numa cidade? Em um bairro de Porto Alegre, ruas, casas e até árvores só estão preservadas hoje por causa da mobilização e da participação dos moradores.
A associação dos moradores conseguiu impedir a mudança na lei de zoneamento que permitiria a construção de prédios no local. A ação ainda corre na Justiça. “É preciso aprender a se unir para batalhar pela sua cidade”, ensina Alda Veloso, da associação de moradores.
Com boa vontade e participação, dá até para superar problemas como a falta de espaço. Na cidade de São Paulo, por exemplo, há rodízio de carros e caminhões para aliviar o trânsito. Algo parecido foi implantado informalmente na garagem de um prédio em Porto Alegre. Sem vaga para todos os carros, estaciona quem chegar primeiro.
“Tem que chegar cedo. Se chegar tarde, não consegue”, diz um morador. “O pessoal é obrigado a colocar em alguma garagem, na casa de alguém ou deixar na rua”, completa uma mulher.
Idéias simples que fizeram a diferença na vida de muita gente. “O crescimento da conscientização dos cidadãos. Quem deve decidir os destinos deles, de seus filhos e de seus netos somos nós cidadãos. E que os governantes devem ser meros reflexo das nossas decisões”, declarou Raul Agostini, presidente da associação dos moradores.
Fonte: Portal G1



