Prédios barram aluguel para república

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Votação: Protesto de inadimplentes

Se a lei for aprovada em SP, seu condomínio irá protestar em cartório os inadimplentes?




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image Alugar um apartamento para morar tem se tornado uma tarefa difícil para os milhares de universitários que chegam a Bauru todos os anos. Alegando que eles fazem barulho e bagunça, muitos prédios têm criado cláusulas no regulamento condominial que proíbem a locação para repúblicas de estudantes.

Para Carlos Eduardo Candia, delegado regional do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci) de Bauru, a proibição é comum nos prédios da cidade. “Estimo que 70% dos condomínios têm convenção que não permite aluguel para repúblicas. Muitos prédios, inclusive, já tinham esta norma, mas agora, por algum motivo, os síndicos ficaram menos tolerantes e resolveram colocar a regra em prática”, explica.

Sandra Regina Lobato, gerente de locação de uma imobiliária de Bauru, confirma que vários edifícios proíbem a locação de apartamentos para república. “A maioria dos prédios está fazendo isso agora. Alguns nem comunicam a imobiliária. Acabamos fazendo o contrato, mas o condomínio não deixa os estudantes entrarem, afirma.

O estudante de veterinária Alexandre Faria Abílio teve problemas quando, juntamente com dois amigos, procurava um apartamento para alugar. “Íamos mudar para o apartamento. Estava tudo certo, inclusive com o contrato assinado. Mas quando chegamos no prédio fomos informados que no dia seguinte haveria uma reunião para decidir se poderíamos mudar ou não. No final das contas falaram que não poderíamos morar lá. Ficamos muito surpresos com a situação. Não tem cabimento”, reclama.

Alciomar Aguinaldo Leão, proprietário do apartamento que Alexandre havia alugado, diz que era vantagem para ele locar, mas que sempre respeitará as leis do condomínio. “Eu desconhecia o estatuto. Mas se o estatuto não permite, eu vou respeitar. Fiquei com dó dos rapazes, mas não posso desrespeitar uma assembléia geral. O que eu queria era alugar o imóvel, mas a gente tem que entender que em condomínio a gente nunca é dono 100%”, pondera.

Apesar dos problemas com as proibições, Candia acredita que locar imóveis para estudantes ainda é um bom negócio. “A inadimplência deste tipo de contrato é praticamente nula. Antes lidávamos com o fantasma da depredação dos imóveis, mas hoje não há porque se preocupar com isso. Quando há algum dano, temos facilidade de receber dos pais dos estudantes”, diz.

Segundo Lobato, o novo comportamento dos condomínios, de proibir repúblicas de estudantes, prejudica também a venda de apartamentos. “Temos cerca de 30 clientes por mês que compram apartamentos para alugar e viver a renda. Se pararem de alugar para estudantes, a tendência é que estas pessoas também parem de comprar. Na minha opinião, isto está sendo prejudicial para todo mundo porque deixamos de alugar e de vender”, reclama.

Além dos estudantes, até quem optou por dividir o apartamento com amigos também tem sofrido com o veto às repúblicas. “Hoje, qualquer duas pessoas que não sejam parentes, que dividam despesas e queiram alugar um apartamento, estão sendo enquadradas como formação de república. Não importa se estas pessoas trabalham ou não”, relata Candia.

A medida é radical, mas Candia explica que não importa o desejo do proprietário de alugar se a convenção do condomínio vetar este tipo de locação, ela não deve ser realizada. “Se 75% dos condôminos aceitarem o veto, ele será incluído na convenção condominial. Deixo claro que são 75% de todos os condôminos e não 75% dos que comparecerem à assembléia. No entanto, a partir do momento da decisão, a regra deve ser respeitada”, diz.

Lobato acredita que a medida é extrema e que a solução poderia estar na aplicação de multas. “Os condomínios têm regras para a convivência. O ideal seria que fossem aplicadas multas caras para quem descumprir as normas. Acho que assim daria para conviver bem sem precisar retirar os estudantes”, sugere.



Fonte: Jornal da Cidade de Bauru - Maíra Soares



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