Individualização de água em condomínios em debate na Feira Secovi Condomínios

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Votação: Protesto de inadimplentes

Se a lei for aprovada em SP, seu condomínio irá protestar em cartório os inadimplentes?




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“Individualização de água – mitos, verdades e casos concretos” foi tema de painel
da Feira Secovi Condomínios, coordenada pelo vice-presidente de Administração Imobiliária, Hubert Gebara, com a participação de Eduardo Carvalho, da LAO Indústria, Eduardo Lacerda, gerente geral da Techem do Brasil, e Lílian Sarrouf, membro do Comitê de Meio Ambiente do SindusCon-SP.

“A questão da água é muito séria e precisa ser compreendida em toda a sua extensão. Por isso, trouxemos três especialistas para alertá-los sobre a importância de se preservar desse bem finito”, afirmou.

Abordado por Eduardo Carvalho, da LAO, o tema “Medição Individual” incluiu explicações sobre o sistema de medição remota – para água ou gás –, já previsto em projetos de edifícios mais novos e cuja instalação em condomínios antigos depende de prévia verificação das condições. Segundo ele, o componente mais importante do sistema é a central, que representa o cérebro da operação de medição. As informações seguem para um computador, onde é instalado o software de gestão, que faz a leitura em tempo real, emite relatório de consumo por apartamento ou geral, e efetua o rateio de área comum (proporcional).

Dentre as vantagens do sistema para a construtora e/ou o condomínio, ele citou a possibilidade de instalação de medidores em locais mais adequados, facilidade na manutenção, redução no custo das instalações hidráulica e elétrica. “Já para o consumidor, além da justiça social – cada um paga o que consome – e de agregar valor ao imóvel, os benefícios, incluem a redução de 20% a 30% do desperdício em relação à medição coletiva, facilidade na gestão do condomínio e na detecção de vazamento, maior segurança.”

De acordo com Carvalho, os sistemas de medição existentes no mercado são via cabo, PLC, rádio-freqüência ou leitura direta. E alertou para a importância de se contratar empresa séria, idônea, com experiência e que utiliza produtos de qualidade e aprovados por institutos devidamente credenciados. “O sistema não é regulamentado, e não há normas a respeito, o que pode resultar na instalação de forma incorreta e em locais inadequados, inclusive de gás”, adverte, reforçando a necessidade de uma mobilização pela regulamentação, envolvendo concessionárias, empresas e entidades ligadas ao setor.

Problema já existe

O assunto continuou em evidência durante a palestra de Eduardo Lacerda, da Techem, que destacou a medição individualizada como uma forma justa de cobrança de água. “Se todos pagam pela energia que consomem, por que não podem fazer o mesmo com a água?”, questionou.

Dados apresentados pelo palestrante dão conta de que, da água existente no mundo, 97,5% é salgada (do mar) e 2,493% é doce, mas situada nas geleiras e aquíferos subterrâneos – os quais estão tendo seus níveis rebaixados ou poluídos. “Sobra 0,007% disponível em rios e fontes de fácil captação”, informou. “Lembrando que 1,1 bilhão de pessoas no planeta não têm água potável à sua disposição”, complementou. O Brasil concentra 11% da água doce superficial do mundo, 70% deles na Amazônia e o restante distribuído irregularmente para atender 93% da população. “Problema não virá daqui a alguns anos. Ele já existe e é um desafio.”

Lacerda fez um breve histórico sobre a medição individualizada, que surgiu na Europa, na década de 1950, como forma de se pagar pelo consumo. O sistema evoluiu e os serviços de leitura, rateio e manutenção hoje são feitos por empresas especializadas. No Brasil, segundo ele, começou como solução para redução no consumo durante o período de racionamento de água.

Ele dividiu os condomínios em dois grupos: os preparados – planejados para ter projeto hidráulico que considera a distribuição de água; e os não preparados - edifícios com mais de dez anos e nos quais não houve planejamento hidráulico, e a rede é formada por varias prumadas.

No caso dos preparados, o hidrômetro pode ser instalado no hall de serviço (shaft hidráulico), no teto de gesso ou de forma aparente na área de serviço da unidade. Os não preparados constituem a grande maioria dos prédios de São Paulo, e o problema basicamente é o custo, que aumenta devido à instalação de um hidrômetro para cada unidade. “Prédios com tubulação de cobre, PVC, PPR e PEX podem ser individualizados, mesmo os não preparados”, explicou.

Lacerda disse que o sistema de leitura por rádio-freqüência é o mais utilizado, principalmente no mercado europeu – e também no Brasil. “O rádio transmissor é importante porque tem registro na Anatel. Além disso, é fundamental usar medidores certificados e contratar empresa idônea, que mantenha alguém responsável pelo sistema”, alertou.

Segundo Eduardo Lacerda, em termos de economia, o sistema proporciona 45% a menos no valor da conta de água. Análise feita em um condomínio durante 30 dias, o consumo total caiu 11% em volume e 20% em reais, com queda ainda na faixa de consumo. “Há uma mudança de comportamento, de consciência. Cada um paga apenas por aquilo que consome”, concluiu.

Justiça social

Membro do Comitê de Meio Ambiente do SindusCon-SP, Lílian Sarrouf disse que, do tema proposto – Individualização de água: mitos, verdades e cases –, iria começar pelas verdades, como o fato de a medição, além de justiça social, representar efetivamente redução no consumo e contribuir para a preservação ambiental. “A água é um bem finito, tem valor econômico e está em extinção. A previsão é de que o produto acabe na Regão Metropolitana de São Paulo em 25 anos.”

Em seguida, apresentou também um vídeo exibido durante o Fórum Mundial da Água (realizado no México), mostrando uma população que espera a chuva para coletar água, tomar banho, fazer a barba, dentre outras atividades. “É preciso conscientizar as pessoas sobre a necessidade do uso racional da água. O consumo está diretamente ligado ao uso e ao desperdício”, advertiu.

Ela falou ainda sobre os desafios para a implantação do sistema de medição. Dois anos atrás, a Agência Nacional da Água (ANA) firmou convênio com a Fiesp para tratar da conservação e do reuso da água, e o SindusCon desenvolveu trabalho específico sobre o assunto, com o objetivo de vencer os desafios por meio de um grupo de estudo sobre medição individualizada. O grupo realizou diversas ações, dentre as quais seminário, discussão sobre normatização dos equipamentos medidores (normas técnicas e das concessionárias), regulamentação do Programa Municipal que trata do assunto (lei é só para edifícios públicos) e participação no Grupo Gestor formado pela prefeitura.

Também estuda a definição de diretrizes para edifícios novos e existentes. “Estamos preocupados com prestadores de serviços que oferecem sistemas que não são confiáveis”, afirmou. “Cuidado com aqueles que prometem demais”, orientou - adicionando que há informações de falsificadores de medidor.

Lilian disse que estão em andamento tratativas com as concessionárias, para definir como o sistema poderá ser viabilizado, discutir questões jurídicas e outros aspectos. "É necessário criar regras no condomínio, porque há uma série de dúvidas", afirmou. "Buscamos regulamentação, para que a construtora entregue toda a previsão para medição individualizada dentro das normas", emendou.

Ela apresentou o case da Saneago - Saneamento de Goiás, que conseguiu criar regulamentação, implantou o sistema e faz pesquisa para medir o índice de satisfação dos consumidores - que assinam Termo de Adesão e aprovam a medida em Assembléia. A empresa fornece água e emite conta individualizada. "O uso racional da água é algo possível, mas depende de uma mudança de atitude", encerrou.


FONTE: Portal Secovi





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